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ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
Uma reflexão sobre a moral, costumes, ética e preconceito.
Aspectos motivacionais do Projeto
Ao se pensar sobre as formas de discutir, questionar e levar a questão tratada no ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA DE JOSÉ SARAMAGO NA VERSÃO CINEMATOGRÁFICA com os alunos, a luz da razão platônica tão bem entendida no mito da caverna, que exemplifica como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.
Comparando o Mito das cavernas com o Ensaio sobre a Cegueira pode-se perceber claramente como o questionamento sobre os valores humanos foi e é motivo de preocupação desde as remotas épocas da história da humanidade.
Descreve assim o mito descrito por Platão.
Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.
Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira.
Os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.
Um dos prisioneiros decide abandonar essa condição e fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões. Aos poucos vai se movendo e avança na direção do muro e o escala, com dificuldade enfrenta os obstáculos que encontra e sai da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.
Platão não buscava as verdadeiras essências da forma física como buscavam Demócrito e seus seguidores. Sob a influência de Sócrates, ele buscava a verdade essencial das coisas.
Na tela Ensaio sobre a cegueira se mostra o produto destas tensões entre palavra e imagem, entre o visível e o invisível, entre a cegueira como perda da visão por deficiência do olho ou do cérebro humanos e a cegueira como metáfora do gesto das pessoas enquanto espectadoras de cinema e, fora do cinema, enquanto condicionadas a ver apenas parte das coisas ou a se comportar como espectadoras da história que vivem .
Objetivos
Estudar os valores humanos e sua perda no século XXI trabalhando as formas de validação do outro, da solidariedade e outras formas do ser e do conviver.
Clientela
Alunos do eixo V e VI na disciplina história.
CONTEÚDOS
Ø Valores humanos
Ø AGNOSIA – AGNOSTICA( suas diferenças)
Ø A razão
Ø A emoção
Ø O ser
Ø O conviver
Metodologia
ASSISTIR O FILME E PERCEBER AS IDEIAS MAIS MARCANTES PARA DISCUSSÃO EM SALA DE AULA
TEATRO(CRIAR UM ROTEIRO).
JOGRAL ( CRIAR ROTEIRO).
SEMINÁRIO SOBRE OS VALORES HUMANOS COM OS ALUNOS.
BIBLIOGRAFIA:
pt.wikipedia.org/wiki/Mito_da_caverna
www.valenews.com.br/.../5549-o2-filmes-vai-contratar-200-pessoas-para-trabalhar-no-filme-vips-com-wagner-moura-em-pindamon
ANEXO
Sinopse: ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" - assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa - manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.
O foco do filme, no entanto, não é desvendar a causa da doença ou sua cura, mas mostrar o desmoronar completo da sociedade que, perde tudo aquilo que considera civilizado. Ao mesmo tempo em que vemos o colapso da civilização, um grupo de internos tenta reencontrar a humanidade perdida. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente.
Curiosidades:
Na tela Ensaio sobre a cegueira se mostra o produto destas tensões entre palavra e imagem, entre o visível e o invisível, entre a cegueira como perda da visão por deficiência do olho ou do cérebro humanos e a cegueira como metáfora do gesto das pessoas enquanto espectadoras de cinema e, fora do cinema, enquanto condicionadas a ver apenas parte das coisas ou a se comportar como espectadoras da história que vivem .
Trata-se, portanto, de criar uma imagem de todos estes significados. Cada um deles só se percebe quando se vê o outro. Para sentir a cegueira como metáfora do comportamento social, o espectador deve passar por uma forma dramática que torne visível a experiência de não ver. E mais, durante a projeção o espectador deve ficar cego a tudo o mais para ver apenas o cinema, a construção cinematográfica que finge dar uma informação visual precisa para que seja possível perceber que na realidade não vemos. Os rostos em primeiro plano deixa claro que vemos mas não conhecemos os personagens: eles não têm nomes. Não sabemos quem eles são.
Guiados pelo som, assim como um cego, as duas palavras soam como se saídas uma da outra, agnosia, (a-gnosis, perda da capacidade de reconhecer pessoas, objetos, formas) e agnóstica (agnostos, a pessoa que perdeu a crença, que não crê na existência de Deus).
A sugestão de que a perda da visão é conseqüência ou direta expressão da perda da fé é retomada no trecho final do filme e deste mesmo modo sussurrado: na rápida passagem pela igreja (os santos com os olhos vendados por algum padre que perdeu a fé, supõe um personagem) e nas duas cenas que simbolizam um batismo.
Algo nestas imagens traz à memória alguns filmes brasileiros. Não porque Ensaio sobre a cegueira tenha procurado citá-los, mas porque, como eles, trabalha uma imagem que faz parte do inconsciente cinematográfico, uma representação da recuperação de fé em si mesmo em Deus e no mundo. O Matraga de Roberto Santos em A hora e vez de Augusto Matraga (1967), o Afonso de Carlos Diegues em Chuvas de verão (1978), a Zulmira de A falecida de Leon Hirszman (1965), são exemplos de personagens que se batizam num dia de chuva, braços abertos, a boca e os olhos ainda mais abertos para o céu, bem assim como fazem agora os personagens de Ensaio sobre a cegueira.
Ensaio sobre a cegueira trabalha então com uma multiplicidade de pontos de vista, com uma agilidade visual superior à do olho humano para representar uma cegueira feita não de escuridão mas de branco, de um excesso de luz. Esta imagem contraditória – ver muito para representar o não ver – é que efetivamente traduz o texto de Saramago. Isto é, a reinvenção do livro se realiza no que é próprio do cinema, na composição do quadro mais do que nas ações que o quadro registra. As ações, mesmo aquelas apenas sugeridas entre sombras, como as da violência sexual, importam menos. Vale a imagem. Ela pode mesmo sugerir uma ação ou história, mas não depende delas.
O filme não se propõe a responder, mas sim questionar, especialmente a natureza humana. Por meio da montagem e do trabalho de desgaste visual do figurino e cenários, Ensaio Sobre a Cegueira deixa claro como a humanidade tende a caminhar ao caos uma vez que não existem mais regras nem moral. Quando todos deixam de enxergar, é como se ocorresse uma implosão dentro da sociedade e o caos é estabelecido, não somente junto aos infectados, mas também junto a quem tenta não ficar cego. Neste caso, cabe questão da personagem tão bem interpretada por Julianne Moore: neste caso, pior é ser o único a ver.
Resumo/contexto da obra literária
Esta obra, de José Saramago, faz uma intensa crítica aos valores da sociedade, e ao que acontece quando um dos sentidos vitais falta à população.
A cegueira começa num único homem, durante a sua rotina habitual. Quando está sentado no semáforo, este homem tem um ataque de cegueira, e é aí, com as pessoas que correm em seu socorro que uma cadeia sucessiva de cegueira se forma… Uma cegueira, branca, como um mar de leite e jamais conhecida, alastra-se rapidamente em forma de epidemia. O governo decide agir, e as pessoas infectadas são colocadas em uma quarentena com recursos limitados que irá desvendar aos poucos as características primitivas do ser humano. A força da epidemia não diminui com as atitudes tomadas pelo governo e depressa o mundo se torna cego, onde apenas uma mulher, misteriosa e secretamente manterá a sua visão, enfrentando todos os horrores que serão causados, presenciando visualmente todos os sentimentos que se desenrolam na obra: poder, obediencia, ganância, carinho, desejo, vergonha; dominadores, dominados, subjugadores e subjulgados. Nesta quarentena esses sentimentos se irão desenvolver sob diversas formas: lutas entre grupos pela pouca comida disponibilizada, compaixão pelos doentes e os mais necessitados, como idosos ou crianças, embaraço por atitudes que antes nunca seriam cometidas, atos de violência e abuso sexual, mortes,…
Ao conseguir finalmente sair (devido a um fogo posto na camarata de uma grupo dominante, que instalara ainda mais o desespero controlando a comida a troco de todos os bens dos restantes e serviços sexuais) do antigo hospício onde o governo os pusera em quarentena, a mulher que vê depara-se com a ausência de guarda: “a cidade estava toda infectada”; cadáveres, lixo, detritos, todo o tipo de sujidade e imundice se instalara pela cidade. Os cegos passaram a seguir os seus instintos animais, e sobreviviam como nômades, instalando-se em lojas ou casas desconhecidas.
Saramago mostra, através desta obra intensiva e sofrida, as reacções do ser humano às necessidades, à incapacidade, à impotência, ao desprezo e ao abandono. Leva-nos também a refletir sobre a moral, costumes, ética e preconceito através dos olhos da personagem principal, a mulher do médico, que se depara ao longo da narrativa com situações inadmissíveis; mata para se preservar e aos demais, depara-se com a morte de maneiras bizarras, como cadáveres espalhados pelas ruas e incêndios; após a saída do hospício, ao entrar numa igreja, presencia um cenário em que todos os santos se encontram vendados: “se os céus não vêem, que ninguém veja”…
A obra acaba quando subitamente, exatamente pela ordem de contágio, o mundo cego dá lugar ao mundo imundo e bárbaro. No entanto, as memórias e rastros não se desvanecem.
Personagens
José Saramago não faz a distinção de personagens pelos seus nomes, mas sim pelas suas características e particularidades. Entre os personagens principais, temos o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, o médico, a mulher do médico (que vê), a rapariga dos óculos escuros, o velho com a venda no olho e o rapazinho estrábico. Vão aparecendo ao longo do livro outros personagens secundárias, como o cego da pistola, o cego que escreve em braile, o ladrão, os soldados, a velha do primeiro andar,o cão de lágrimas…
A rapariga dos oculos escuros – “Mãezinha, paizinho…Não está ninguém, disse a rapariga dos óculos escuros, e desatou-se a chorar encostada à porta…, não tivéssemos nós aprendido o suficiente do complicado que é o espírito humano, e estranharíamos que queira tanto a seus pais, ao ponto destas demonstrações de dor, uma rapariga de costumes tão livres,…”
Tipo de escrita
Podemos concluir que a obra é de difícil leitura devido a dois importantes factores:
o contexto filosófico de Saramago
o estilo de escrita – poucos paragrafos, poucos pontos finais, falas entre vírgulas,… - o que exige uma verdadeira concentração na leitura
Excertos
“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”
“O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui.”
“Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira, Isto é diferente, Farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos, cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos, Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego, Acredito, mas não preciso, cego já estou, Perdoa-me, meu querido, se tu soubesses, Sei, sei, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma, e se eles se perderam”.
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